Eu, assim como todos que vivem essa profissão louca, vivo me perguntando a função dela. Falo isso, porque de um mês pra cá os meus questionamentos só aumentaram. Passo dia lendo jornal, procurando informação, escrevendo informações, mas parece que a coisa fica só por isso, uma indústria. Se pararmos para observar, os textos são praticamente iguais, são em série. O jornalista não mais procura o diferencial.
Pergunto-me então, não querendo ser pessimista, o que levou o nosso Jornalismo a essa decadência . Se foi essa história de ser objetivo ou se foram aquelas coisas de imparcialidade, que é a maior mentira que já ouvi. Daí, viramos máquinas de escrever “informações” e somente isso. Mas no fundo eu sei o que foi, esquecemos de nos espelhar nos nossos mestres e caímos no conformismo. Tempos bons do jornalismo foram aqueles de Joel Silveira, Clarice Lispector, Nelson Rodrigues. O público abria o jornal e lia e lia.... Hoje, abrimos o jornal, passamos olho e temos a impressão de que já vimos isso antes.
Estranho, depois que tiraram a máquina de escrever das redações e tornaram os jornalistas profissionais da informação, a coisa parece que perdeu a essência. Esqueceram de ensinar nas escolas que jornalista precisa de um olhar mais crítico e mais sensível sobre as coisas. Esqueceram de aprender a ouvir e ver o que está ao nosso lado.
Mas saber, ainda vale muito a pena continuar, por aqueles que já viveram essa profissão e por aqueles que hoje vivem ela com a vontade de melhorá-la. E mais do que isso, por essa Nação que precisa tanto de formação. Espero um dia, que os nossos jornais nos façam refletir sobre o mundo e sobre nós. E que não mais, eu sinta vontade ser jornalista naqueles tempos de Clarice e Joel, mas que eu tenha muita garra de querer continuar sendo jornalista hoje.